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30 de jul. de 2020


Uma filha de Santo e sua mãe, Fátima Coelho e Nadir, do Terreiro Ilé Axé Opó Afunjá de Salvador, Bahia, vêm recuperando o Bordado Barafunda, uma tradição usada na confecção das roupas sagradas das casas de candomblé brasileiras. Há 10 anos elas vêm trabalhando na técnica, recuperando os vários pontos e também formando bordadeiras e bordadeiros.



O bordado é do tipo drawnwork, uma técnica de bordado ancestral, desenvolvido para melhorar a aparência dos tecidos. Nele os fios da trama ou do urdimento são tirados para depois, a partir das "janelas", o tecido ser bordado. É um trabalho do qual se diz que pode ter dado origem à renda. 

No Brasil a técnica é conhecida como crivo e bainha aberta.  O drawnork se espalha com força por toda a Europa do século XVI, com a descoberta da imprensa e a edição dos livros de padrões. No século XVIII ele se encontra disseminado pela América Latina, principalmente na América do Sul.

O barafunda, a técnica recuperada junto às casas religiosas da Bahia, é primoroso. Trabalhado com grande variedade de motivos e em grandes extensões do tecido, 
transforma-o praticamente numa renda.

Veja o vídeo: 


13 de jun. de 2019

Artesanato e Patrimônio Cultural - Entrevista com Adélia Borges



O que há em comum entre as bonecas de barro do Vale do Jequitinhonha, no norte de Minhas Gerais, as rendas de bilro de Florianópolis, capital de Santa Catarina, e a cerâmica de Cotia, no sudoeste de São Paulo? Todos estes são exemplos de saberes e fazeres manuais transmitidos de geração em geração pelos quatro cantos do Brasil. São diferentes técnicas, materiais, cores, texturas e aplicações a compor uma teia que forma o profícuo artesanato brasileiro. Expressões que prevaleceram por muitos anos como suvenires – recordações de viagem embaladas por turistas –, mas que, principalmente nas últimas duas décadas, ganharam um novo olhar, significado e importância. 
Pesquisadora e curadora de manualidades que percorrem o país de norte a sul, Adélia Borges reafirma em palestras, livros e instituições: “A única coisa primitiva sobre nosso artesanato é o nosso conhecimento a respeito dele”. Ex-diretora do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, autora e coautora de mais de 15 livros, entre eles Design + Artesanato: o Caminho Brasileiro (Terceiro Nome, 2011), Adélia não só tem um profundo conhecimento na área, como ainda se emociona e se surpreende com a riqueza de manifestações culturais manuais nos rincões por onde viaja pelo Brasil. Nesta entrevista, a especialista nos explica o que está por trás do conceito de artesanato, qual o posicionamento das expressões manuais na contemporaneidade e os desafios do porvir.
Como definir o que é artesanato?
Resolvi adotar a definição da Unesco. Artesanato é tudo que se faz com as mãos e com predomínio de processos manuais. A elaboração de objetos em que predominem as técnicas manuais, mas na qual também pode haver a utilização de tecnologias, de equipamentos. O artesanato tem uma força muito grande inclusive na economia dos países em desenvolvimento. Há estudos que mostram essa força na economia. Países onde há predomínio do artesanato nas camadas mais pobres da população. O que não acontece em diversos países do hemisfério norte, onde há um retorno expressivo do artesanato, feito por mestres, doutores, gente escolarizada, onde há muitos cursos de faculdade de design, de joalheria, design têxtil etc. Tanto que, na Europa, o artesanato se conhece muito como “movimento maker”, de fazer com as próprias mãos, que implica, em geral, o uso de técnicas artesanais muitas vezes conjugadas com digitais. Nos Estados Unidos dá-se o nome de Do It Yourself (DIY). 
Enquanto estrangeiros, como a arquiteta italiana Lina Bo Bardi, sempre foram fascinados pelo artesanato brasileiro, por que no país ainda há certo desmerecimento?
A tradição escravocrata que o Brasil tem é muito forte. É “ruim” sujar as mãos e fazer algo com elas. Se tenho instrução suficiente, mando alguém fazer e não faço. É uma tradição escravocrata e que diminui quem faz, criando uma dicotomia. Se for ver a definição de artesanato nos dicionários brasileiros, entre os significados consta: coisa rústica feita sem atenção, sem técnica. Uma visão absolutamente preconceituosa. Quando você compara essa definição com a de um dicionário britânico, é totalmente diferente. Lá entende-se por ofício, por aquilo que é feito à mão, feito com maestria por mestres da tecelagem, da cestaria etc. Então, imersos nessa realidade, precisamos de certa distância para ver o artesanato com novos olhos. Foi o que a Lina Bo Bardi fez, assim como outros. Outras iniciativas, algumas das quais faço parte, tentam mostrar o artesanato brasileiro de forma que as pessoas percebam a enorme riqueza que ele tem. Há também muitos artistas contemporâneos fazendo uso de técnicas artesanais. Como Ernesto Neto [na exposição Sopro, em cartaz na Pinacoteca], um artista que faz esculturas têxteis, muitas das quais realizadas em parceria com comunidades. Por exemplo, ele trabalhou anos com a Cooperativa de Trabalhadores da Rocinha, no Rio de Janeiro.

Leia a sequencia do texto na  Revista Além das Asas . Desfrute!

13 de fev. de 2019

A RENDA ARTESANAL É UMA QUIMERA?




Nhanduti de Atibaia organizou um Encontro para conversar sobre Renda Artesanal no próximo sábado, 16 de fevereiro, no Clube Recreativo, entre 14h e 17hs. Chamamos a Bianca Matsusaki, pesquisadora e estilista, para começar contando um pouco da História da Renda pra depois conversarmos sobre o que mais gostamos, A RENDA, ESSA QUIMERA!.

Você sabe o que é uma quimera? é um monstro da mitologia com uma cabeça de leão, outra de cabra e rabo de serpente... que solta fogo pela boca. Com tanta fantasia, passou a significar o impossível. Sonho, esperança ou utopia. Projeto irrealizável.

E Renda Artesanal? A Renda é arte expressa em fios. Não é tecido enfeitado, é o próprio enfeite. Jóias quebradas são pedaços de ouro; pedaços de Renda continuam sendo Renda... Ser matéria e objeto, coisa decorada e decoração, faz da Renda Artesanal uma coisa especial, um sonho, uma utopia. Uma quimera? *

Para animar a conversa, convidamos também alguns experts da área têxtil, bordadeiras e rendeiras ... professores e aprendizes de renda artesanal, a Escola Rubbo de Manuyalidades de Campinas ...  uma Colecionadora de artes manuais femininas... Todos amantes da Renda Artesanal... E será benvindo quem mais tenha interesse nessas artes tradicionais quase esquecidas. Somos poucos mas certamente temos muito pra conversar.

O Clube Recreativo Atibaiano fica na Praça da Matriz de Atibaia, no Centro, a 600m da Estação Rodoviária. A Conversa comecará às 14h e faremos uma transmissão on line para quem não puder vir até o local. A entrada é livre, mas se v. nos avisar que está vindo (pelo Facebook ou whatssapp (11) 999 423 818) garantimos seu lugar fresquinho e um café quentinho. Até lá!




Bianca do Carmo Matsusaki, docente e formada em Designer de Moda pelo Centro Universitário SENAC, possui especialização em Produção de Moda e Styling, e mestra em Ciências (Têxtil e Moda) pela USP. Trabalhou como modelista e hoje se dedica a projetos de reaproveitamento de materiais descartados pela indústria buscando alternativas sustentáveis para a moda.

NHANDUTI DE ATIBAIA, Ponto de Cultura certificado pelo Ministério da Cultura, surgiu do desejo de manter viva a arte tradicional da Renda Tenerife, também conhecida por Nhanduti. Desde 2003-2004 se dedica à pesquisa, resgate e difusão da técnica por meio de pesquisas e palestras, cursos, demonstrações e outras ações que contribuam para promover a tecelagem da Renda Artesanal que se encontra em vias de esquecimento.

*interpretação livre de texto do Lace Curator, de Elizabeth Kurella, ,

22 de jan. de 2019

Mostra bordada: "Só queria embalar meu filho"

A Mostra “Só queria embalar meu filho” traz obras de quase 100 artistas, de nove estados, e homenageia os desaparecidos durante a ditadura.


ALMOFADA DE ANGEL JONES, FILHO DA ESTILISTA ZUZU ANGEL

Os desaparecidos pela ditadura instaurada no Brasil com o golpe de 1964 são homenageados em um trabalho artístico bastante peculiar em exposição em Curitiba, a partir de 26 de janeiro. Trata-se da mostra “Só queria embalar meu filho”, uma obra coordenada pela escultora Rita Isabel Vaz e que conta com a participação de 95 bordadeiras e bordadores de várias partes do país.

Almofadas foram bordadas com os nomes dos desaparecidos e desaparecidas, além de mensagens ou desenhos que de alguma forma representam os homenageados. As almofadas cam dispostas no chão, formando um imenso tapete. A exposição integra o Circuito de Arte Contemporânea de Curitiba, no Museu Municipal de Arte, no Portão Cultural. A entrada é gratuita.


Informe-se mais sobre a Mostra clicando na fonte  AQUI

23 de fev. de 2018

HOMENS COM LINHAS E AGULHAS

HOMENS COM LINHAS E AGULHAS! COLETIVO ALMOFADINHAS PROMOVE O DEBATE SOBRE ESTEREÓTIPOS E PRECONCEITOS ATRAVÉS

DO BORDADO




O Coletivo Almofadinhas surge em meados de 2015. A expressão “almofadinha” foi usada para designar “rapazes elegantes e efeminados” que se reuniram para definir quem era o melhor na prática do bordado em almofadas em um concurso que aconteceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro, no ano de 1919. O termo foi então adotado pelo grupo em alusão a essas figuras.

Vindos do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, os três artistas com formação na esfera das Artes Plásticas e Visuais passam a interagir por conta da afinidade entre seus trabalhos. Surge então a intenção de criarem algo coletivamente, unindo a técnica e as temáticas que cada um já trabalhava de maneira individual.

Cada membro contribui com sua proposta, mas ainda assim ressaltam que influenciam e interferem ativamente no trabalho um do outro.

+ INFO: 
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