31 de jan. de 2020

Notícias do XV Congresso da Renda de Castilha e Leão


O "XV Congreso de Encaje de Castilla y Léon" organizado pelo "Museo y Centro Didáctico de Encaje de Castilla y Léon" de Tordesillas  aconteceu entre los dias 24 e 27 de outubro con atividades em Tordesilhas, Val de San Lorenzo y Villar del Monte, que incluíram cursos, visitas culturais, exposicões e conferencias. O principal tema abordado foram os Soles, técnica de renda de trama radial que tem nos Soles de Salamanca dos sec. VXI e XVII seu exemplo emblemático. Teve ainda uma programação em Val San Lorenzo e en Villar del Monte, mas vamos nos deter na programação de Tordesilhas.
Soles de América y Brasil

O congresso contou com uma exposição dos Soles de América y de Brasil levada por Elizabeth Correa, que desde 2003/04 se dedica à essa tecnica.
















Aconteceu também um curso de "Soles Brasileños" de 20hs ministrado pela mestra brasileira nas dependências do Museo del Encaje.

Aula de Soles brasileños



















E no "XI Concurso de Encaje Contemporâneo-Premio Husaño" com o tema Mitologia en Encaje, a renda tenerife brasileira foi representada pela peça "Dragones de Santa Clara", uma homenagem ao dragões da Capela do Mosteiro de Santa Clara, edifício histórico da cidade de Tordesilhas. Foi tecida pelo coletivo Nhanduti de Atibaia


Dragones de Santa Clara


Mitologia en Encaje
Concurso y Exposicion de Encaje















E nas Conferencias do Congresso, Natividad Villoldo dissertou sobre os "Soles de Salamanca"
Natividad Villoldo


Elizabeth Correa
e Elizabeth Correa sobre os "Soles de América y de Brasil".












E ainda dentro da programação do "XV Congreso Internacional " aconteceu o lançamento do n° 38 da revista "EL HUSAÑO Tejidos Artisticos de Castilla y León", editada pela "Asociación Promotora del Encaje de Castilla y Léon" também dedicada aos Soles, contendo artigos de pesquisadoras de Tenerife, Paraguay, Brasil y Espanha falando dessa técnica que a partir da Espanha e Ilhas Canarias atingiu o mundo.

18 de out. de 2019

Congresso de Renda de Castilha e Leon, Espanha.



                          Nos próximos dias 24 e 27 de outubro acontece em Tordesilhas, Espanha, o  XV Congresso de Renda de Castilha e Leão promovido pelo Museo e Centro Didactico de Encaje de Castilla y Leon, museu de renda situado em Tordesilhas. O encontro, que tambem comemora os 30 anos do Museu de Renda de Tordesilhas tem como tema os ‘’Soles’’ ou Renda Sol, técnica de renda de agulha que  e uma das rendas emblemáticas da região espanhola.
                           O Museu de Renda e uma instituição privada que nasceu do sonho da Sra. Natividad Villoldo Diaz de recuperar as rendas dos séculos XVI e XVII que se encontravam quase completamente extintas. Hoje reúne um acervo único com cerca de 30.000 peças onde tem destaque as rendas históricas do  Século de Ouro da Espanha.
Os Soles ou Renda Sol, técnica que teve seu auge nos Sec. XVI e XVII, são ancestrais das rendas de trama radial que chegaram a América. Aqui adquiriram características variadas conforme a região em que se aculturaram. O Nanduti do Paraguai, assim como o Nhanduti brasileiro e a Renda Tenerife que encontramos de Sul ao norte do Continente Americano, entre outras, derivam deles.
                          Demonstrando ser verdadeiro elo entre culturas e povos, a técnica e o tema central do Congresso que, no dia 27, traz uma palestra sobre os “’Soles de Salamanca e Astorga”  feita pela Sra. Natividad Villoldo, provavelmente a maior conhecedora da técnica hoje, trazendo no mesmo dia a fala da ativista cultural Elizabeth Correa que aborda os Soles da America Latina e do Brasil.
                           Elizabeth Correa e fundadora do ‘’Nhanduti de Atibaia’’, Coletivo e Ponto de Cultura que desde 2004-2005 se dedica a pesquisa, resgate e promoção do Nhanduti ou Renda Tenerife, renda artesanal que foi atividade importante economicamente em S.Paulo, capital e interior, nos anos 1950-60. Aliás esse tambem e o conteúdo do artigo da estudiosa brasileira da revista El Husano n.38 cujo lancamento ocorre no Congresso e que tambem está dedicado ao tema ‘’Soles’’.

                          Durante o Congresso, acontece ainda a mostra ‘’Encaje de Soles” que, alem de contar com peças do acervo do Museu del Encaje, contará com “Soles” da América Latina, peças que a pesquisadora brasileira levou especialmente para o evento. Elizabeth Correa ainda dará um curso de 18 horas da técnica brasileira de fazer a Renda Nhanduti ou Tenerife.

Programa do Congresso

7 de out. de 2019

Expondo na ENTREMEADAS

NHANDUTI DE ATIBAIA integra a mostra ENTREMEADAS que abre ao publico dia 15 de outubro proximo no SESC Vila Mariana, em S.Paulo



Com curadoria de Adélia Borges, a exposição reúne a produção de mulheres artesãs do estado de São Paulo, que se dedicam às linhas, aos fios e às fibras como materiais de suas produções artísticas e como possibilidades simbólicas e narrativas nas relações com as comunidades as quais estão inseridas.
Servico: Abertura: 15 de outubro, terça, 19h30 Visitação de 16 de outubro a 9 de fevereiro de 2020 Terça a sexta - 10h às 21h30 Sábado - 10h às 20h30 Domingo e feriado - 10h às 18h30 Local: Hall dos Elevadores - Piso Térreo, Torre A Grátis. Mais informações: http://bit.ly/entremeadas :: PROGRAMAÇÃO INTEGRADA :: • Cantos de trabalho do fiar, tecer, cozer, bordar e rendar, com as Rendeiras da Aldeia Espetáculo musical com cantos de trabalho nas vozes de mulheres, com repertório movido pela gestualidade e ritmo do fazer tradicional. 15/10 (terça), às 20h Local: Praça de Eventos Grátis :: Coletivos e participantes :: ACTC - Casa do Coração (São Paulo) Arte e Vida (Guapiara) Arte Roses (Bertioga) Artesãs da Linha Nove (São Paulo) Banarte Fibra (Miracatu) Bordadeiras do Jardim Conceição (Osasco) Bordaemia (São Paulo) Ybyatã (São Paulo) Cooperativa Lili (Tremembé) Eliana Bojikian Polito (Bauru) Lucinda Artesã (Américo Brasiliense) "Mulheres Artesãs Da Enseada Da Baleia"(Cananeia) Nhanduti de Atibaia (Atibaia) Odete Coradini (Olímpia) Cooperativa Lili (Tremembé) Oficina dos Anjos (São Paulo) Piradas no Ponto (São Paulo) Rendeiras da Aldeia (Carapicuíba) Artesanato Guarani Mbya (São Paulo e Eldorado) Quilombo de Ivaporunduva (Eldorado) São Bento por Vários Fios (São Bento do Sapucaí)

4 de out. de 2019

23 Festival Internacional de Renda de Lepoglava



A Associacao de Rendeiras de Sebourg fez uma bela reportagem dobre o tradicional encontro de Lepoglava. As fotos estao mais completas do que o texto, que contem algumas impropriedades, inclusive quanto à nossa participacao, mas vale uma vista dòlhos.

O endereco é http://www.dentellieres.com/Reportage/R2019/Lepoglava/index.html

3 de ago. de 2019

PARTICIPANDO DA JORNADA DO PATRIMÔNIO 2019


Grupo dedicado à Renda Tenerife ou Nhanduti, um patrimônio cultural imaterial, promove oficina na histórica Capela S.Miguel Arcanjo, patrimônio cultural material.


O grupo NHANDUTI DE ATIBAIA estará na JORNADA DO PATRIMÔNIO 2019 que acontece no final de semana dos dias 17 e 18 de agosto na Capital de S.Paulo com a oficina NHANDUTI: UMA RENDA QUE FALA GUARANI. A oficina será na Capela de São Miguel, o mais antigo templo religioso de S.Paulo, que também é um patrimônio cultural paulistano.

A JORNADA DO PATRIMÔNIO, celebrada todos os anos no terceiro final de semana de agosto em todos os cantos da cidade de São Paulo, promove atividades que estimulam a população a reconhecer os patrimônios históricos e culturais paulistanos que tratam da memória e identidade dos diferentes grupos sociais da cidade.

A CAPELA DE SÃO MIGUEL ARCANJO, que abrigará a oficina, também conhecida como Capela dos Índios, fica em São Miguel Paulista e foi  construída pelos índios guaianases em 1622. Em 1938 iniciou-se um processo minucioso em busca de suas origens e desde então tem sido lindamente recuperada, incluindo-se peças e ornamentos de madeiras. O seu entorno também foi adequado à construção colonial, tornando o local convidativo.

A Renda Tenerife ou Nhanduti é uma tecelagem que, vinda da Espanha, teve sua padronagem reescrita pela população nativa da América do Sul, passando a carregar em suas teias a fauna, a flora e os elementos da vida do Novo Continente. A técnica, que teve relevância econômica em S.Paulo e arredores em meados do séc.XX, encontra-se hoje praticamente esquecida e o Coletivo NHANDUTI DE ATIBAIA, responsável pela oficina, se dedica a pesquisar, resgatar e promover esse patrimônio cultural há mais de 10 anos.

A orquestração dessas forças e interesses pela memória e pelo patrimônio cultural da Cidade de S.Paulo possibilitou a oficina NHANDUTI: UMA RENDA QUE FALA GUARANI, criando uma oportunidade para conhecer um pouco da história e para aprender os passos iniciais dessa técnica de renda que faz parte da história de nossa região.


Serviço:
Oficina dia 17 de agosto das 14h às 17h.
Capela S.Miguel: Pça Aleixo Monteiro Mafra
S.Miguel Paulista - Tel.(11) 2032-3921
Recomendada para maiores de 16 anos. Gratuita. Não é necessária experiência anterior. Material necessário será fornecido.
Vagas limitadas. Obrigatória inscrição prévia através do nhanduti.org@gmail.com
    

21 de jul. de 2019

Uma conexão entre Croatia e Brasil

Marina Motivi-Sikirevci

Nhanduti de Atibaia, S.Paulo

A Renda Sol é um ponto de conexão entre a Croácia e Brasil. A partir das Ilhas Canárias, o almoxarifado dos Grandes Descobrimentos, essa técnica de fazer renda atingiu leste e oeste do globo terrestre, adquirindo características próprias em cada região em que se aculturou.

Tradicional na zona rural de Brodsko Posavlje, Eslavonia, onde era muito popular nos anos 1920 e 1930, os módulos da Renda Sol são bordados sobre uma trama radial montada sobre um bastidor de madeira que se assemelham ao desenho dos raios solares, de onde tomou essa denominação.

A Renda Sol de Sikirevci usa predominantemente fios brancos, mas também pode ser ser colorida. Os módulos de renda são parte da tradição local e são usados para decorar trajes nacionais de mulheres e de homens, acessórios de cama e mesa e outras peças típicos da região.

No Brasil a Renda tem o nome de Nhanduti ou Renda Tenerife e foi praticada até os anos 1960-70 principalmente na região sudeste, São Paulo e arredores. Tecida na cor branca e bege, também tinha na utilização de fios de seda muito coloridos uma peculiariedade, distinguindo-se das outras Renda Sol da família que se encontram espalhadas pelo mundo.


28 de jun. de 2019

Dia Internacional da Renda 2019



O Dia Internacional da Renda será no próximo dia 7 de julho. Essa linda comemoração virtual já está virando uma tradição. 
Iniciativa de Juanita de Jonje, rendeira holandes, se não me equivoco, a proposta é no Dia da Renda as rendeiras se reunirem  em atividade e levar uma foto do evento para postar no site. Entendemos que não necessáriamenmte tem que haver um grupo, pode ser uma única rendeira em atividade que se fotografe e poste. Para contribuir com a identificação, a foto deve conter um pequeno cartaz com o nome e local de origem do grupo ou pessoa. 
Abaixo colocamos duas nossas postagens de 2018.





24 de jun. de 2019

Centro Cultural Ibero Americano inaugurado em Moscou


Instituição pretende fomentar o conhecimento sobre a 
cultura dos povos que falam português e espanhol, além
de disponibilizar acervo para leitores russos, centro irá 
realizar eventos científicos e educacionais.
No dia 24 de maio p.p. ocorreu em Moscou a cerimônia de inauguração do Centro
Cultural Ibero-americano no âmbito da Biblioteca de Literatura Estrangeira Margarita
 Rudomino. 
Além de representantes do ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Cultura da Rússia, 
estiveram  presentes no evento o embaixador do Brasil, bem como de outros países 
ibero-americanos e da África lusófona.

13 de jun. de 2019

Artesanato e Patrimônio Cultural - Entrevista com Adélia Borges



O que há em comum entre as bonecas de barro do Vale do Jequitinhonha, no norte de Minhas Gerais, as rendas de bilro de Florianópolis, capital de Santa Catarina, e a cerâmica de Cotia, no sudoeste de São Paulo? Todos estes são exemplos de saberes e fazeres manuais transmitidos de geração em geração pelos quatro cantos do Brasil. São diferentes técnicas, materiais, cores, texturas e aplicações a compor uma teia que forma o profícuo artesanato brasileiro. Expressões que prevaleceram por muitos anos como suvenires – recordações de viagem embaladas por turistas –, mas que, principalmente nas últimas duas décadas, ganharam um novo olhar, significado e importância. 
Pesquisadora e curadora de manualidades que percorrem o país de norte a sul, Adélia Borges reafirma em palestras, livros e instituições: “A única coisa primitiva sobre nosso artesanato é o nosso conhecimento a respeito dele”. Ex-diretora do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, autora e coautora de mais de 15 livros, entre eles Design + Artesanato: o Caminho Brasileiro (Terceiro Nome, 2011), Adélia não só tem um profundo conhecimento na área, como ainda se emociona e se surpreende com a riqueza de manifestações culturais manuais nos rincões por onde viaja pelo Brasil. Nesta entrevista, a especialista nos explica o que está por trás do conceito de artesanato, qual o posicionamento das expressões manuais na contemporaneidade e os desafios do porvir.
Como definir o que é artesanato?
Resolvi adotar a definição da Unesco. Artesanato é tudo que se faz com as mãos e com predomínio de processos manuais. A elaboração de objetos em que predominem as técnicas manuais, mas na qual também pode haver a utilização de tecnologias, de equipamentos. O artesanato tem uma força muito grande inclusive na economia dos países em desenvolvimento. Há estudos que mostram essa força na economia. Países onde há predomínio do artesanato nas camadas mais pobres da população. O que não acontece em diversos países do hemisfério norte, onde há um retorno expressivo do artesanato, feito por mestres, doutores, gente escolarizada, onde há muitos cursos de faculdade de design, de joalheria, design têxtil etc. Tanto que, na Europa, o artesanato se conhece muito como “movimento maker”, de fazer com as próprias mãos, que implica, em geral, o uso de técnicas artesanais muitas vezes conjugadas com digitais. Nos Estados Unidos dá-se o nome de Do It Yourself (DIY). 
Enquanto estrangeiros, como a arquiteta italiana Lina Bo Bardi, sempre foram fascinados pelo artesanato brasileiro, por que no país ainda há certo desmerecimento?
A tradição escravocrata que o Brasil tem é muito forte. É “ruim” sujar as mãos e fazer algo com elas. Se tenho instrução suficiente, mando alguém fazer e não faço. É uma tradição escravocrata e que diminui quem faz, criando uma dicotomia. Se for ver a definição de artesanato nos dicionários brasileiros, entre os significados consta: coisa rústica feita sem atenção, sem técnica. Uma visão absolutamente preconceituosa. Quando você compara essa definição com a de um dicionário britânico, é totalmente diferente. Lá entende-se por ofício, por aquilo que é feito à mão, feito com maestria por mestres da tecelagem, da cestaria etc. Então, imersos nessa realidade, precisamos de certa distância para ver o artesanato com novos olhos. Foi o que a Lina Bo Bardi fez, assim como outros. Outras iniciativas, algumas das quais faço parte, tentam mostrar o artesanato brasileiro de forma que as pessoas percebam a enorme riqueza que ele tem. Há também muitos artistas contemporâneos fazendo uso de técnicas artesanais. Como Ernesto Neto [na exposição Sopro, em cartaz na Pinacoteca], um artista que faz esculturas têxteis, muitas das quais realizadas em parceria com comunidades. Por exemplo, ele trabalhou anos com a Cooperativa de Trabalhadores da Rocinha, no Rio de Janeiro.

Leia a sequencia do texto na  Revista Além das Asas . Desfrute!
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