13 de jun de 2019

Artesanato e Patrimônio Cultural - Entrevista com Adélia Borges



O que há em comum entre as bonecas de barro do Vale do Jequitinhonha, no norte de Minhas Gerais, as rendas de bilro de Florianópolis, capital de Santa Catarina, e a cerâmica de Cotia, no sudoeste de São Paulo? Todos estes são exemplos de saberes e fazeres manuais transmitidos de geração em geração pelos quatro cantos do Brasil. São diferentes técnicas, materiais, cores, texturas e aplicações a compor uma teia que forma o profícuo artesanato brasileiro. Expressões que prevaleceram por muitos anos como suvenires – recordações de viagem embaladas por turistas –, mas que, principalmente nas últimas duas décadas, ganharam um novo olhar, significado e importância. 
Pesquisadora e curadora de manualidades que percorrem o país de norte a sul, Adélia Borges reafirma em palestras, livros e instituições: “A única coisa primitiva sobre nosso artesanato é o nosso conhecimento a respeito dele”. Ex-diretora do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, autora e coautora de mais de 15 livros, entre eles Design + Artesanato: o Caminho Brasileiro (Terceiro Nome, 2011), Adélia não só tem um profundo conhecimento na área, como ainda se emociona e se surpreende com a riqueza de manifestações culturais manuais nos rincões por onde viaja pelo Brasil. Nesta entrevista, a especialista nos explica o que está por trás do conceito de artesanato, qual o posicionamento das expressões manuais na contemporaneidade e os desafios do porvir.
Como definir o que é artesanato?
Resolvi adotar a definição da Unesco. Artesanato é tudo que se faz com as mãos e com predomínio de processos manuais. A elaboração de objetos em que predominem as técnicas manuais, mas na qual também pode haver a utilização de tecnologias, de equipamentos. O artesanato tem uma força muito grande inclusive na economia dos países em desenvolvimento. Há estudos que mostram essa força na economia. Países onde há predomínio do artesanato nas camadas mais pobres da população. O que não acontece em diversos países do hemisfério norte, onde há um retorno expressivo do artesanato, feito por mestres, doutores, gente escolarizada, onde há muitos cursos de faculdade de design, de joalheria, design têxtil etc. Tanto que, na Europa, o artesanato se conhece muito como “movimento maker”, de fazer com as próprias mãos, que implica, em geral, o uso de técnicas artesanais muitas vezes conjugadas com digitais. Nos Estados Unidos dá-se o nome de Do It Yourself (DIY). 
Enquanto estrangeiros, como a arquiteta italiana Lina Bo Bardi, sempre foram fascinados pelo artesanato brasileiro, por que no país ainda há certo desmerecimento?
A tradição escravocrata que o Brasil tem é muito forte. É “ruim” sujar as mãos e fazer algo com elas. Se tenho instrução suficiente, mando alguém fazer e não faço. É uma tradição escravocrata e que diminui quem faz, criando uma dicotomia. Se for ver a definição de artesanato nos dicionários brasileiros, entre os significados consta: coisa rústica feita sem atenção, sem técnica. Uma visão absolutamente preconceituosa. Quando você compara essa definição com a de um dicionário britânico, é totalmente diferente. Lá entende-se por ofício, por aquilo que é feito à mão, feito com maestria por mestres da tecelagem, da cestaria etc. Então, imersos nessa realidade, precisamos de certa distância para ver o artesanato com novos olhos. Foi o que a Lina Bo Bardi fez, assim como outros. Outras iniciativas, algumas das quais faço parte, tentam mostrar o artesanato brasileiro de forma que as pessoas percebam a enorme riqueza que ele tem. Há também muitos artistas contemporâneos fazendo uso de técnicas artesanais. Como Ernesto Neto [na exposição Sopro, em cartaz na Pinacoteca], um artista que faz esculturas têxteis, muitas das quais realizadas em parceria com comunidades. Por exemplo, ele trabalhou anos com a Cooperativa de Trabalhadores da Rocinha, no Rio de Janeiro.

Leia a sequencia do texto na  Revista Além das Asas . Desfrute!

3 de jun de 2019

23º Festival Internacional de Rendas, Lepoglava, Croatia




O 23º Festival Internacional de Rendas de Lepoglava terá lugar de 13 a 15 de setembro próximo. O tema do Festival é a Renda Real e o país parceiro do Festival este ano é o Reino de Espanha. 

Além dos muitos expositores nacionais, o Festival Internacional anuncia a presença de expositores de oito países - Espanha, Hungria, Bélgica, Grã-Bretanha, Eslovénia, Estónia, Eslováquia e Polónia. A lista não é definitiva, pois é esperada a confirmação de expositores de outros países. 

O festival é realizado sob o alto patrocínio do Presidente da República da Croácia, Ms. Kolinda Grabar-Kitarović, e do Ministério da Cultura, Ministério do Turismo, o Ministério da Agricultura e da Comissão Croata da NESCO

Os visitantes poderão visitar as exposições do Festival, que contará ainda com orkshops e palestras. Nos dias da festa, Lepoglava vai oferecer aos visitantes uma série de eventos culturais e entretenimentos com foco no património cultural e natural. O festival é marcado pelas Jornadas Europeias do Património. 

OBS.: NHANDUTI DE ATIBAIA estará lá levando nosso acervo de SOLES da América juntamente com Canárias e Espanha e Croatia, cada qual con seus SOLES!

24 de mai de 2019

Artesanato para uma sociedade mais justa

texto de Nara Guichon

Segundo o dicionário Michaelis, a palavra “artesanato” pode ser definida como:
“Arte e técnica do trabalho manual realizado por um artesão; método de trabalho do artesão que alia utilitarismo à arte.”
Esta definição é muito elucidativa para entender a importância da criação artesanal atualmente. O artesão é alguém que combina “o utilitarismo”, ou seja, a utilidade, serventia e usabilidade, com a “arte” – o sublime, o belo, o emocional.
Compreender a importância deste ofício é aprender sobre a dinâmica de uma cultura, especialmente a cultura brasileira, em toda sua complexidade e beleza.
Segundo a pesquisadora e curadora Adélia Borges, o brasileiro ainda enxerga o produto artesanal como algo rude, primitivo e pouco complexo. Segundo ela:
“A única coisa primitiva sobre nosso artesanato é o nosso conhecimento a respeito dele.” 
Se por um lado temos uma desvalorização do fazer artesanal, por outro vivemos uma expansão das técnicas, modelos, estilos e materiais. A variedade de trabalhos e artesãos dedicados à sua arte, ajuda a manter essa forma de expressão em seu lugar de destaque como modificadora da sociedade.
Esse fazer manual pode ser visto como um benefício social múltiplo. Ele é fonte de renda, meio de expressão e preservação das culturas locais, modelo de valorização de pessoas e comunidades, estilo de vida, alternativa sustentável de consumo, dentre outros.
Esta atividade também é altamente benéfica em termos como meio de socialização. O criar com as próprias mãos estimula o intelecto e facilita a empatia entre as pessoas.
Leia a sequencia do texto no site de Nara Guichon clicando AQUI 

14 de mai de 2019

Rendas de um vestido de noiva real



É sempre hora de sabermos como, afinal, eram as rendas do vestido de noiva da realeza britânica que aonteceu em no início do seculo XXI (mais exatamente 2011). É uma lição para nós situados fora desse eixo de atividade ...

Jean Leader é rendeira residente na Escócia e membro ativa da IOLI, Internacional Organization of Lace Inc., organização de rendeiras sediada nos Estados Unidos, da qual foi presidente na gestão 2018. O seu artigo veio de uma visita à França, ao Centro de Caudry (https://musee-dentelle.caudry.fr/ ) responsável pela renda do vestido de Kate Midlleton. 

Para saber mais, visite o site de Jean Leader clicando AQUI e abuse do Google Traductor!  

E se tiver oportunidade, deixe um comentario agradecendo Jean por compartilhar com a gente.


8 de mai de 2019

525 anos da assinatura do Tratado de Tordesilhas




A comemoração do 525 º aniversário da assinatura do Tratado de Tordesillas será o evento cultural, social e turístico do ano na cidade de Tordesilhas, Valladolid, Espanha, a ser realizada nos dias  7, 8 e 9 de junho próximo. Além de recepcionar cerca de 25.000 visitantes que são esperados para o evento, o ministro da Cultura e Desportos em exercício, José Guirao, juntamente com o Secretário-Geral da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB), Rebeca Grynspan, abrirão no dia 7, sexta-feira, a exposição que mostrará o documento original dTratado de Tordesillas.

Este documento é o único Património Nacional guardado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa e está inscrito no Registro da Memória do Mundial da UNESCO desde Junho de 2007.

As Casas do Tratado (e a vizinha Igreja de Santa Maria), local de assinatura do acordo entre as duas coroas e que abriga hoje o museu

O Tratado de Tordesilhas é um documento assinado em 1494 pelo Rei Juan II de Portugal e os Reis Católicos da Espanha, um acordo entre as duas coroas que 
 colocou um fim temporário às rivalidades entre Castela e Portugal para alcançar a hegemonia sobre a rota comercial através do Atlântico. 

O significado e impacto histórico do Tratado de Tordesillas era desconhecido na época de sua assinatura pelos próprios signatários. Ele dividia entre os dois reinos um mundo que então ainda não era conhecido pelos europeus, já que Colombo, em sua segunda viagem (que coincidiu com a realização do Tratado) ainda não havia chegado às costas do Novo Continente.

15 de abr de 2019

Classes "on line": cumprindo a função!



A aluna "on line" Cida M Peixoto acompanhou nosso Passo a Passo e nos deu retorno. Abaixo os módulos n°1 e nº2 da aluna onde p progresso é nítido do primeiro para o segundo! É uma satisfação enorme saber que o Passo a Passo atende quem está interessado em aprender. 

Primeiro módulo

Segundo módulo
O PASSO A PASSO está no canal do Youtube NHANDUTI DE ATIBAIA. 
O endereço é site: 
V. pode acessar o PASSO A PASSO pelo endereço, através do nosso portal www.nhanduti.org.br que dá acesso a todos os nossos blogs e midias sociais  ou clicar AQUI!


29 de mar de 2019

Como fazer um "pique" ou "cojin".


Roseta Canária em elaboração 


 No Brasil não temos o costume de usar essa almofada para fazer a Renda Tenerife. Ela é utilizada nas Rosetas das Ilhas Canárias (nossa renda ancestral!) onde tem o nome de cojin, e também nos Soles de Naranjito, a renda da família Sol feita em  Porto Rico. Lá é chamado de "pique". 


Á guisa de ilustração, nos anos 50 fazer a Renda Tenerife estava na moda e apareceram vários inventos para serem usados para montar o urdimento radial, fase inicial da tecelagem desse tipo de renda. A Koppo Cushion foi uma delas inventada e patenteado pelo japones Koppo Saito. 
Veja uma postagem antiga sobre a Koppo Cushion no nosso blog  Museu Virtual da Renda Tenerife clicando nas palavras em  vermelho.
Pique e trabalho de Sandra Rodriguez, de Porto Rico



Voce pode tentar fazer um "pique". Este site tem uma orientação bem completa.
Veja lá: https://www.knitting-and.com/crafts-and-needlework/teneriffe/koppo-cushion/


Diversos

tamanhos de "Cojin"

19 de mar de 2019


Nhanduti de Atibaia organizou um Encontro para conversar sobre Renda Artesanal no dia 16 de fevereiro. Chamamos a Bianca Matsusaki, pesquisadora e estilista, para começar contando um pouco da História da Renda e depois partimos pra conversar sobre o que mais gostamos, A RENDA, ESSA QUIMERA!.

Você sabe o que é uma quimera? é um monstro da mitologia com uma cabeça de leão, outra de cabra e rabo de serpente... que solta fogo pela boca. Com tanta fantasia, passou a significar o impossível. Sonho, esperança ou utopia. Projeto irrealizável.

E Renda Artesanal? A Renda é arte expressa em fios. Não é tecido enfeitado, é o próprio enfeite. Jóias quebradas são pedaços de ouro; pedaços de Renda continuam sendo Renda... Ser matéria e objeto, coisa decorada e decoração, faz da Renda Artesanal uma coisa especial, um sonho, uma utopia. Uma quimera? *

Para animar a conversa, convidamos também alguns experts da área têxtil, bordadeiras e rendeiras ... professores e aprendizes de renda artesanal ... Todos amantes da Renda Artesanal... E quem tinha interesse nessas artes tradicionais quase esquecidas. 

Fizenos uma transmissão on line que ficou meio falha - problemas acontecem. Mas fizemos um resumo bem curo das quase 4 horas de conversa gostosa que tivemos. 

Falamos um pouco de tudo e aprendemos muito. E ficamos querendo mais!

Acesse o vídeo e aproveite para se inscrever no canal e clicar no sininho para ser notificado dos lançamentos futuros!

O endereço é 

23 de fev de 2019

8th Bienal de Arte Textil -WTA 2019


Encerra-se em março próximo o prazo da Convocação Internacional para a WTA - 2019 Madrid que será entre 17 de setembro e 3 de Novembro de 2019, na Capital da Espanha.  Pela primeira vez em sua história de mais de 15 anos a a Bienal de Arte Textil Contemporânea -WTA será sediada fora do Continente Americano.



A Bienal Internacional de  Arte Têxtil WTA  coloca os holofotes sobre os artistas que escolhem se expressar através de fibras e tecidos, dando um novo significado ao seu trabalho e ao conceito de "arte têxtil", fazendo-o explodir em seus muitos significados.
Ultrapassando fronteiras e entrelaçando disciplinas, os artistas participantes da Bienal Internacional de  Arte Têxtil Contemporary - WTA vão das fibras até as novas tecnologias, aventuram-se em diferentes linhas de pesquisa, mesclam estudos e questionam categorias, mantendo sempre o têxtil como elemento integrador.
Mais informações acesse o site clicando em Madrid 2019.



13 de fev de 2019

A RENDA ARTESANAL É UMA QUIMERA?




Nhanduti de Atibaia organizou um Encontro para conversar sobre Renda Artesanal no próximo sábado, 16 de fevereiro, no Clube Recreativo, entre 14h e 17hs. Chamamos a Bianca Matsusaki, pesquisadora e estilista, para começar contando um pouco da História da Renda pra depois conversarmos sobre o que mais gostamos, A RENDA, ESSA QUIMERA!.

Você sabe o que é uma quimera? é um monstro da mitologia com uma cabeça de leão, outra de cabra e rabo de serpente... que solta fogo pela boca. Com tanta fantasia, passou a significar o impossível. Sonhoesperança ou utopia. Projeto irrealizável.

E Renda Artesanal? A Renda é arte expressa em fios. Não é tecido enfeitado, é o próprio enfeite. Jóias quebradas são pedaços de ouro; pedaços de Renda continuam sendo Renda... Ser matéria e objeto, coisa decorada e decoração, faz da Renda Artesanal uma coisa especial, um sonho, uma utopia. Uma quimera? *

Para animar a conversa, convidamos também alguns experts da área têxtil, bordadeiras e rendeiras ... professores e aprendizes de renda artesanal, a Escola Rubbo de Manuyalidades de Campinas ...  uma Colecionadora de artes manuais femininas... Todos amantes da Renda Artesanal... E será benvindo quem mais tenha interesse nessas artes tradicionais quase esquecidas. Somos poucos mas certamente temos muito pra conversar.

O Clube Recreativo Atibaiano fica na Praça da Matriz de Atibaia, no Centro, a 600m da Estação Rodoviária. A Conversa comecará às 14h e faremos uma transmissão on line para quem não puder vir até o local. A entrada é livre, mas se v. nos avisar que está vindo (pelo Facebook ou whatssapp (11) 999 423 818) garantimos seu lugar fresquinho e um café quentinho. Até lá!




Bianca do Carmo Matsusaki, docente e formada em Designer de Moda pelo Centro Universitário SENAC, possui especialização em Produção de Moda e Styling, e mestra em Ciências (Têxtil e Moda) pela USP. Trabalhou como modelista e hoje se dedica a projetos de reaproveitamento de materiais descartados pela indústria buscando alternativas sustentáveis para a moda.

NHANDUTI DE ATIBAIA, Ponto de Cultura certificado pelo Ministério da Culturasurgiu do desejo de manter viva a arte tradicional da Renda Tenerife, também conhecida por Nhanduti. Desde 2003-2004 se dedica à pesquisa, resgate e difusão da técnica por meio de pesquisas e palestras, cursos, demonstrações e outras ações que contribuam para promover a tecelagem da Renda Artesanal que se encontra em vias de esquecimento.

*interpretação livre de texto do Lace Curator, de Elizabeth Kurella, ,
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Nhanduti de Atibaia