15 de jan de 2019

CANÇÃO DAS JOVENS RENDEIRAS



Das jovens mãos das rendeiras,
de seus claros equilíbrios
nasce a aurora, é o sol que verte
do ritmo estival dos bilros.
É a paz que flui como as águas
do coração d′almofada.

A aurora tece o algodão,
o algodão tece a fazenda,
mas a rendeira faz tudo:
tece o sonho e tece a renda,
tece o amor, tece a tiara
no coração d′almofada.

Do linho de fibra indócil
faz a rendeira o seu mito.
Flor de espuma e esquecimento,
maré de anseio infinito.
Tece a morte e tece o nada
no coração d′almofada.

É como se a alma estivesse
talhada no labirinto
de solidão que ela tece.
Como se um deus cristalino
vertesse a face esmagada
sobre o enigma d′almofada.

A rendeira tece a morte
nas malhas do labirinto.
Tece o véu, tece a grinalda,
tece a ilusão do destino.
Tece o silêncio e a saudade
no coração d′almofada.

A rendeira tece a vida
nos fusos das almofadas;
tece a túnica dos mortos
e a nudez das namoradas;
tece o riso e tece a lágrima
no coração d′almofada.

A rendeira tece o fado
nas almofadas redondas;
tece o luar, tece as espumas
que se agitam sobre as ondas;
tece o olhar, tece o segredo,
tece o enigma e tece o medo.

A rendeira tece a prece
nas cordas tensas dos bilros.
Tece o mistério que desce,
soleníssimo, dos cimos.
Tece as fibras do algodão
e tece o meu coração. 

Francisco Carvalho
In Dimensão das Coisas, 1967
Ceará/Br, 1927-2013

8 de jan de 2019

"Lace, not Lace", Hunterdon Art Museum, Clinton, USA

Uma exposição inovadora que destacou como os fabricantes de rendas estão expandindo as fronteiras tradicionais de sua forma de arte para criar um trabalho que investiga temas, materiais e formas contemporâneos. Aconteceu no Hunterdon Art Museum até o dia 06 de de janeiro de 2019.
Lace, não Lace: Contemporary Fiber Art from Lacemaking Techniques, revelou como os artistas texteis contemporâneos estão usando astécnicas da renda de bilro e da renda de agulha com uma infinidade de fibras e filamentos em cores e texturas ilimitadas para interpretar seu mundo.
"Esta foi a primeira mostra nos Estados Unidos que focou a arte contemporânea feita em técnicas de bilro e renda de agulha", disse Devon Thein, especialista em rendas internacionalmente conhecida e curadora da exposição.
+info: Hunterdon Art Museum
Anterior Aspect. EJ Parkes.


Just Girly Things. Penny Nickels.

I am Woman. Purse 2. Ros Hills.

Sepia Bowl. Jill Nordfors Clark. 

Seableed. Jane Atkinson.

Carriage of Lost Love, Lieve Jerger

Blue Plastic Doily, by Ashley Williams

Winter. Laura Friesel.

2 de jan de 2019

Soles brasileños: apuntes para su história. Palestra na Jornada Internacional das Rosetas Canárias


 
As JORNADAS INTERNACIONAIS "ROSETA DE TENERIFE" aconteceram em novembro
de 2017 e reuniram Rendeiros e Rendeiras dos diversos países em que são
praticadas as Rendas de Trama Radial ou Renda Sol que teriam por
ancestral as Rosetas de Tenerife ou Rosetas Canárias, técnica de fazer
renda que a partir das Ilhas Canárias teria se espalhado para várias
partes do mundo.

Convidada para representar o Brasil, Elizabeth Correa, 
do grupo NHANDUTI DE ATIBAIA, se dedica à Renda Tenerife, no
Brasil também conhecida como Nhanduti, desde 2002-2003, estudando e
praticando a técnica com as características que a renda de agulha tomou
no país. É Mestre Rendeira premiada pelo Ministério da Cultura e o
Coletivo Nhanduti de Atibaia foi certificado como Ponto de Cultura.

No Novo Mundo, a técnica é ou foi encontrável
em diversas regiões das Américas, sendo que em cada região em que se
aculturou, adquiriu características próprias, tornando-se um elemento de
ligação entre sociedades e culturas diversas do Continente

18 de dez de 2018

Iniciativas que valem: Vientos del Campo



                                Participante da 18 BID - Bienal Iberoamerica de Disegno,  VRO é uma linha de indumentária para a área gastronômica e o público em geral que mistura um desenho moderno com texteis e rendas artesanais paraguaias.




A coleção se chama Yvytu Ñu, Vientos de Campo 2018, uma série que busca que a indumentaria profissional de cozinha alce vôos, tenha formas e incorpore a natureza. O trabalho da designer recolheu a essência da vida no campo, a frescura do vento, o céu e o verde.
De todas estas influencias surge uma palheta de colores con proeminência dos celestes, lilas, brancos, pardos e cinzas. Cortes modernos, frescos y juvenis vão para a cozinha nos aventais, gorros, e jaquetas com aplicações da renda nhanduti realizados por tecedeiras das cidades de Villeta e de Itaugua, na Grande Assunção.

sítio: www.vropardo.com
fonte: Catálogo 18º BID

11 de dez de 2018

Série "Iniciativas que valem"

A revolução será bordada

iniciativa: BORDADO EMPODERADO




Bordados de temática feminista, com um toque de humor, política e autoconhecimento, estão nas paredes do Obra Café, em Porto Alegre/RS (Av. Osvaldo Aranha, 426) desde 29 de novembro passado e fica em exibição até o dia 5 de janeiro de 2019.

A mostra "A revolução será bordada" é a primeira exposição individual da artista têxtil e fotógrafa Bruna Antunes. No local estão exibidas peças recentes e obras de acervo produzidas a partir de 2017, usando bordado e aquarela em tecido. As peças são criações próprias, mas alguns bordados possuem ilustrações de outras artistas, como Juliana Mota, Isadora Jacoby, Sharisy Pezzy e Élin Godois. 

Bruna Antunes é a criadora do "Bordado Empoderado", um projeto que desde 2016 ensina a arte do bordado através de cursos, palestras, colaboração com ONGs e grupos de mulheres, além de parcerias com marcas.


+info: http://mapeandopoa.com.br/bordado-empoderado/

fonte: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/cultura/2018/11/658428-bordados-feministas-sao-tema-de-exposicao-no-obra-cafe.html

4 de dez de 2018

Minguei – Em Busca do Artesanato Popular do Japão




“Minguei – Em Busca do Artesanato Popular do Japão” é um filme em forma de caderno de viagens. Captado pela pesquisadora Silvia Sasaoka em 2002, numa expedição financiada com uma bolsa da Fundação Japão que percorreu o país, das ilhas do norte às ilhas do sul, entrevistando artesãos de tecelagem, estamparia, cerâmica e laca, entre outros. 

Nela podemos ver expressões vivas do artesanato popular, do trabalho manual a reflexões sobre as dificuldades encontradas por essa tradição. O vídeo, dirigido e finalizado por Rica Saito, é um tributo ao artesanato na sua forma mais elaborada e um testemunho da diversidade e inventividade de gerações. 

Fala Silvia Sassaoka: "O percurso da minha pesquisa se deu em cidades de 4 ilhas, do extremo norte ao extremo sul do Japão – Hokkaido, Honshu, Amami e Okinawa. Este roteiro mostrava a situação do artesanato tradicional japonês no contexto contemporâneo e dentro de uma grande diversidade cultural destas 4 ilhas"

Assista ao filme clicando no nome




Mingei - Em busca do artesanato popular do Japão

22 de nov de 2018

XII Encontro Mestres do Mundo



O Encontro Mestres do Mundo está consolidado no calendário da cultura no Ceará como uma ação de democratização do acesso aos bens e serviços culturais que vem atender à necessidade de criar espaços para a transmissão de saberes prevista na Lei Estadual nº 13.842, que instituiu o programa Tesouros Vivos do Ceará. Desde 2003, foram diplomados 95 Mestres da Cultura, 11 grupos e 02 coletividades, reconhecidos como detentores dos saberes da cultura popular tradicional, patrimônio imaterial do Estado do Ceará.
XII Encontro Mestres do Mundo
de 21 a 24 de novembro de 2018
Local: Aquiraz (CE)
Das 9h às 0 h

Aberto ao público




Em 2008 NHANDUTI DE ATIBAIA participou do IV Encontro na cidade do Juazeiro, quando foi contemplado na categoria "Iniciativas da Sociedade Civil" pelo Prêmio Culturas Populares 2007-Mestre Duda do Ministério da Cultura. Veja a notícia que demos no n/blog Nhanduti de Atibaia na ocasião AQUI.


4 de set de 2018

Coleção Roquette-Pinto de Renda Nhanduti transformou-se em cinza.

" ... quando perdemos um museu como esse, perdemos também uma parte importante e valiosa da nossa capacidade de imaginar outros mundos. Afinal, é disso que trata a antropologia, falamos, analisamos e descrevemos outros mundos. E, com isso, alargamos a nossa capacidade imaginativa de querer, sonhar, imaginar e construir modos diversos de estarmos vivos."

fonte: Isabela Oliveira facebook de 2/09/2018



Incêndio no dia 2/9/2018 queimou a quase totalidade daos 20 milhoes de peças do Museu Nacional 


Edgard Roquette-Pinto foi autor do primeiro estudo sobre a Renda Nhanduti de que se tem notícia. Foi médico legista, professor, escritor, antropólogo, etnólogo, ensaísta e membro da Academia Brasileira de Letras

Seguindo os caminhos dos primórdios da Antropologia, Roquette-Pinto conheceu o interior do Continente Latino Americano ao ser designado pelo Museu Nacional, nas décadas iniciais dos 1900, para,  seguindo o caminho percorrido pelo Mal. Rondon ao mapear as fronteiras telegráficas brasileiras, coletar material para o acervo do Museu. Esteve também ligado à Universidade de Asunción, onde trabalhou por 4 anos.

Do circuito e convívio, além do material coletado que integrava a bela coleção etnográfica do Museu Nacional e da obra literária que colaborou para perpetuar a missão de Rondon, trouxe ele uma pequena coleção de Renda Nhanduti, elaborando o primeiro estudo sobre a Renda trazida do Paraguai de que se tem notícia.

O foco do estudo de Roquette-Pinto é a simbologia adotada pelas rendeiras nos padrões que os módulos da renda passam a estampar, catalogando os motivos adotados por essa população "criolla". 

A tecelagem, que em sua origem canária é básicamente floral, passa a ter desenhos da fauna, da flora e do mundo circundante nas suas tramas. O texto "Notas sobre o Ñanduti do Paraguai" foi publicado pelo Boletim do Museu Nacional em 1927.

As fotos anexas, quase furtivas, do momento em que as peças eram tiradas das caixas, foram as únicas que me foram autorizadas fazer na visita ao acervo que fiz há cerca de 5 anos atrás quando solicitei consultar a coleção de Roquette-Pinto! 

Agora a coleção de Renda Nhanduti virou cinza juntamente com quase 20 milhões de peças do mais importante Museu da América Latina no incêndio de 2 de setembro. E sequer boas fotos da coleção restaram!

Fica o relato para registrar minha tristeza e, principalmente, registrar a existência deste acervo que se perdeu. Até porque talvez que eu seja a única pessoa nesse país que vai se lembrar dele entre tanto que se perdeu.





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